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| A
fabricante americana de motos Harley Davidson
conseguiu
na Justiça uma liminar para rescindir seus
contratos com seu distribuidor exclusivo no
Brasil, a empresa HDSP Comércio de Veículos,
pertencente ao Grupo Izzo. Segundo a decisão,
publicada no último dia 12, a rede de
concessionárias continuará a comercializar
os produtos da marca Harley Davidson por um
prazo de 120 dias. "Esse tempo será
usado para a busca de novos parceiros
comerciais. A Harley Davidson não vai
paralisar suas atividades no Brasil", diz
Celso Caldas Martins Xavier, sócio do escritório
Demarest&Almeida e representante da Harley
Davidson. O Grupo Izzo informou que vai pedir
a reconsideração do juiz e recorrer da decisão. |
| Segundo
a ação judicial a que o Estado teve acesso,
um dos principais argumentos da Harley
Davidson para pedir a quebra do contrato foi a
suposta violação do acordo de exclusividade
entre as partes. A HDSP teria vendido motos e
produtos de marcas como Ducati, Benelli,
Malaguti, Polaris e Husqvarna. No processo, os
advogados da empresa americana citam cupons
fiscais da compra de produtos de concorrentes
em que constam o CNPJ da HDSP. Consultado,
Paulo Izzo, representante do Grupo Izzo,
afirmou que não vende marcas diferentes da
Harley Davidson sob o CNPJ da HDSP. |
| Outro
argumento apresentado pela fabricante
americana diz respeito à "associação
indevida da marca Harley Davidson às marcas
de competidores". Na ação, são
apresentados cartões de visita das lojas do
Izzo em que o emblema da Harley Davidson
aparece ao lado do símbolo de concorrentes. A
Harley Davidson também alega que houve uma
alteração na estrutura societária da HDSP,
com a entrada de duas novas empresas que
possuem a autorização da Superintendência
da Zona Franca de Manaus para montar uma fábrica
de motos da marca Triumph – o que
configuraria um caso de conflito de
interesses. Para ambas as acusações, Izzo
informou que a HDSP "se adequou aos
pedidos feitos pela Harley Davidson". |
| Reclamações
Por
fim, a Harley Davidson baseia sua ação no
suposto mau atendimento a clientes. A empresa
cita que alguns consumidores chegam a esperar
entre 30 e 60 dias pelo emplacamento de suas
motos. O atraso seria resultado de um esquema
ilegal em que a concessionária empenharia as
motos já vendidas a bancos como garantia para
empréstimos de fluxo de caixa. Em resposta,
Izzo afirmou que o único modelo utilizado
pela concessionária é o chamado "floor
plan". Segundo ele, trata-se de uma
estratégia legal e comum entre concessionárias
de veículos em que os bancos passam a
financiar a revendedora com a fábrica. |
| No
processo, a Harley Davidson cita, ainda,
diversos blogs e comunidades na internet em
que consumidores reclamam da qualidade do
serviço prestado pela Izzo. "Para a
Harley Davidson, a satisfação do cliente é
a grande prioridade. Com a frustração dos
consumidores, a empresa viu que precisava
agir", diz Ronald Mincheff, presidente da
agência de comunicação Edelman no Brasil e
porta-voz da fabricante americana.
Izzo
rechaça as acusações. "Qualquer marca
recebe reclamações. Somos premiados pela
Harley Davidson por nosso desempenho há anos.
Só em 2009, ganhamos prêmios globais da
empresa de melhor design de loja, maior taxa
de crescimento e excelência em serviço",
diz Izzo. "Como alguém pode ganhar tanto
prêmio e ser tão incompetente como a empresa
diz?"
Para
Izzo, a explicação para a disputa judicial
movida pela fabricante americana está na
intenção da Harley Davidson em mudar seu
modelo de atuação no Brasil. "Fui
comunicado pela matriz que a empresa queria
assumir a gestão do negócio no Brasil e
abrir espaço para novos concessionários
antes do fim do nosso contrato, que vai até
dezembro de 2015", diz. Hoje, muitas das
decisões estratégicas da Harley Davidson no
Brasil estão sob responsabilidade da HDSP,
como a política de marketing e comercial. A
Harley Davidson afirma, no entanto, que a ação
contra a concessionária foi motivada apenas
pelo desrespeito às regras contratuais.
Fonte:
Matéria publicada no site Jornal O
Estado de São Paulo em 24/03/2010
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